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opositores da renda básica universal. Experimentos pilotos condu-
zidos no Canadá, na Índia e na Namíbia não revelaram efeitos sig-
nificativos quanto ao nível de emprego e no Irã parte dos destinatá-
rios do benefício passou a trabalhar mais. Também no programa
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desenvolvido na Finlândia não foram constatadas diferenças de
comportamento em relação a trabalho entre os participantes que
receberam o benefício e o grupo de controle. 12
Essa constatação não pretende – e nem poderia – esvaziar o
debate envolvendo a dialética capital e trabalho. Tampouco se
ignora o achatamento de salários como possível desdobramento da
implementação de uma renda básica universal, caso ela seja trata-
da como subsídio salarial. Por outro lado, parece ser mais factível
conjecturar o incremento de salários como efeito da superação do
temor da miséria. O aumento do poder de barganha impactaria,
sobretudo, a prestação de serviços em condições precárias, hoje
realizados por pessoas a quem não resta alternativa. Os limites dos
pilotos que pretenderam garantir o pagamento de renda mínima
não permitem, por ora, conclusões definitivas em um ou outro
sentido.
Futuro do trabalho, desigualdade e polarização
O impacto da tecnologia no mercado de trabalho também tem
sido apontado como um dos fatores que justificariam a adoção
da renda básica universal. Isso em parte explica sua defesa por
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expoentes do Vale do Silício, onde foi gestado um dos estudos
11 ORTIZ, I. et al. Universal Basic Income proposals in light of ILO standards: Key issues
and global costing, Geneva, 2018.
12 KANGAS, O. et al. The basic income experiment 2017–2018 in Finland. Preliminary
results. Ministry of Social Affairs and Health, 2019.
13 LOWREY, Annie. Give People Money – How a Universal Basic Income Would End
Poverty, Revolutionize Work and Remake The World. Nova York: Crown, 2018.
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